A Cachoeira do Encanto foi uma das experiências mais incríveis de toda a nossa viagem pela Serra da Canastra, e Vargem Bonita foi a cidade que usamos como base pra explorar a região inteira. Juntei os dois neste guia: como chegar até a cachoeira, como é a trilha, e tudo que vale saber sobre ficar hospedado em Vargem Bonita.
Como chegar até a Cachoeira do Encanto
Ela fica a cerca de 2h30 de Vargem Bonita, não confie no "2 horas" que costuma aparecer por aí. Fomos pelo caminho que passa pela Cachoeira do Quilombo em vez de ir pela Serra Branca, e ali tem uma travessia de rio alto de verdade: precisamos descer do carro pra avaliar se dava pra passar antes de arriscar. Os dois caminhos exigem 4x4 mesmo.

No caminho, vale parar no letreiro do Vale da Babilônia pra fotos, tem um comerciozinho ali com uma dona muito simpática, um bom lugar pra esticar as pernas antes de seguir viagem.
A trilha e as duas cachoeiras: da Luz e do Encanto
Chegamos por volta das 11h da manhã. No local funciona a pousada Cachoeira da Luz e Encanto, e foram os próprios donos, muito simpáticos, que nos explicaram o caminho até as cachoeiras. O valor de entrada por pessoa é de R$ 20.

Dica prática: se não quiser molhar o calçado, vá de sandália, porque logo no início da trilha tem uma travessia de rio que molha pelo menos até o joelho, então prepare-se pra tirar e recolocar o calçado. A trilha em si é fácil, de cerca de 1 km, e majoritariamente plana, só fica mais complicada perto das cachoeiras. As placas de demarcação existem, mas poderiam ser maiores ou melhor posicionadas: como estávamos conversando e nos distraímos, acabamos passando de uma placa e andando mais do que precisava.

Primeiro você chega na Cachoeira da Luz, com um poço exuberante e bonito. Sabia que a água estaria bem gelada, então guardei minha coragem pra próxima parada, que tinha uma expectativa maior.
Sem dúvida a Cachoeira do Encanto é a estrela do passeio. A chegada é difícil por ser bem inclinada, tanto que colocaram cordas pra ajudar na descida e na subida. Mas vale muito a pena: o poço é clarinho, dá pra ver o fundo de pedra sem folhas acumuladas, e fica protegido pelas árvores. Ali o banho é obrigatório. Pra quem curte se aventurar, dá pra chegar até embaixo da queda, a parte central do poço é bem funda, mas perto da queda fica mais rasa e tem pedras laterais que ajudam. Foi um lugar incrível, valeu a pena todo o sacolejo da estrada até ali.
Na volta, os donos ofereceram um cafezinho, pão de queijo e um bolo de limão de cortesia, que caiu muito bem, já que estava passando da hora do almoço.
Hospedagem no local: Cachoeira da Luz e Encanto
A pousada que administra o acesso às duas cachoeiras oferece hospedagem no local (e em breve também camping). Em junho de 2026 o valor era R$ 280 o casal, com jantar e café da manhã inclusos. Pra quem quer aproveitar as cachoeiras com calma, sem correr contra o relógio de volta pra Vargem Bonita, essa pode ser uma boa opção.
Quando o camping estiver disponível, deve virar uma opção ainda mais econômica pra quem curte aventura.

Onde almoçar por perto
Fomos na Pousada da Vanda, e não esperávamos, mas o lugar estava fervilhando: chegamos por volta das 13h e tinha fila tanto pra se servir quanto pra pagar. Muita gente de moto, bike e principalmente 4x4. Buffet de comida mineira bem gostoso, R$ 65 no pix ou R$ 70 no cartão por pessoa. O estacionamento é grande, então várias pessoas param ali só pra descansar ou fazer um lanche, mesmo sem almoçar.

Vargem Bonita: usando a cidade como base
Vargem Bonita foi nossa base durante boa parte da viagem pela Canastra. Decidimos por ela porque encontramos uma hospedagem que aceitava nosso pet, o Tom, mas se não estivéssemos com ele, teríamos optado por ficar nas cidades mais próximas aos atrativos, pra aproveitar mais e não enfrentar tantas vezes as mesmas estradas.

Vargem Bonita é uma cidade pequena, então vale se programar:
- Mercado: tem um mercado pequeno, mas que supre bem, com açougue, padaria e itens básicos, com preços condizentes com a região.
- Delivery e transporte: não encontramos iFood nem Uber disponíveis na cidade.
- Energia: durante o período que ficamos lá, faltou luz todos os dias. Vale se programar se você trabalha remoto ou depende de energia constante.
- Sinal de internet: praticamente não tem sinal na maior parte dos lugares, principalmente nas estradas. Baixe o mapa da região antes de sair de casa pra acessar offline. Os atrativos e restaurantes da região costumam ter wi-fi só pra você conseguir pagar no pix.
- Pagamento: pix é aceito na esmagadora maioria dos lugares, incluindo cachoeiras, restaurantes e queijarias.
Ficar em Vargem Bonita é uma boa escolha principalmente pra quem quer visitar o Parque Nacional da Serra da Canastra e seus atrativos. Pra quem já conheceu esses atrativos e quer explorar outros pontos da região, escolher outra cidade como base talvez seja a melhor opção.
Vale a pena?
Sem dúvida. A Cachoeira do Encanto exige bastante estrada e um 4x4 de verdade pra chegar, mas foi uma das experiências mais marcantes da viagem inteira, e Vargem Bonita, apesar de pequena e com suas limitações, cumpre bem o papel de base pra quem quer explorar a Serra da Canastra com calma.







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