A Ilha do Mel é um daqueles destinos que funcionam melhor quando você diminui o ritmo. Sem carros, sem pressa e sem grandes estruturas, a ilha convida o visitante a caminhar mais, observar mais e planejar menos. É o tipo de lugar perfeito para um fim de semana curto, econômico e cheio de natureza, especialmente para quem sai de Curitiba ou da região metropolitana.
Neste roteiro, contamos como foi nosso final de semana na Ilha do Mel, com deslocamentos, custos reais, trilhas, hospedagem em Encantadas e um roteiro possível para aproveitar bem dois dias a pé e de bike. Não é um guia engessado, mas um relato prático de quem percorreu a ilha no próprio ritmo, com erros, acertos e boas surpresas pelo caminho.
Ilha do Mel: um destino para ir sem pressa
Saímos de São José dos Pinhais às 06:10, rodamos cerca de duas horas até Pontal do Sul, pagando R$ 24 de pedágio pela Rodovia do Café, e deixamos o carro em um dos vários estacionamentos próximo ao porto, quase todos cobram, R$ 30 a diária, totalizando R$ 60 de sexta para sábado. A única diferença entre eles é que alguns tem vagas cobertas que normalmente custam mais caro.
Depois de deixar o carro, seguimos para o porto. Compramos a nossa passagem de ida e volta ali mesmo no valor de R$49,90 por pessoa já ida e volta, pela Abaline. Aqui fique atento para entrar na barca certa, existem duas opções a que vai para Encantadas e para nova Brasília, seguimos para a primeira.

A barca saiu pontualmente às 08:00, ainda bem que chegamos uns 15 minutos antes, e não haviam muitas pessoas para embarque (sexta), pois na volta (sábado) percebemos o quanto no fim de semana a travessia é disputada e podendo ter mais tempo de espera.
O trajeto até Encantadas leva cerca de 30 minutos, tempo suficiente para desacelerar, observar o movimento e já entrar no ritmo da ilha.
Ao desembarcar você já cai no pequeno centrinho de Encantadas, onde ficam bares, restaurantes, mercados e empresas que vendem passeios. Vi caiaque por R$ 50 a hora por pessoa e fiquei com vontade, mas ficou para a próxima.
Agora se você quer fazer um bate volta e não se preocupar com nada disso, uma excursão a Ilha do Mel pode ser o ideal.
Onde se hospedar na Ilha do Mel?
Seguimos direto para a pousada Morada das Flores, que foi um achado em custo-benefício. Mesmo chegando cedo, liberaram o quarto que tinha acabado de ser limpo, simples, honesto, com ar-condicionado, TV e tudo funcionando. Optamos pelo banheiro compartilhado, a poucos metros do quarto, bem tranquilo de usar.
O café da manhã é básico, mas suficiente para começar o dia de trilhas. O atendimento fez toda a diferença, inclusive pelas dicas do Rodrigo, dono da pousada, que ajudaram a evitar caminhos mais complicados nas trilhas para conhecer a Ilha.

Outras opções de hospedagem na ilha seguem a mesma lógica: estruturas rústicas, organizadas e pensadas para manter a preservação do lugar. Quando pesquisamos, achamos caro para o que oferecem, depois entendemos o motivo.
Outras hospedagens recomendadas
Opção Intermediária – Pousada Beira Mar
Opção Luxuosa - Grajagan
Se a dúvida é onde se hospedar na Ilha do Mel? Ficar em Encantadas é mais interessante, o bairro ganha pontos por ter mais restaurantes, mercados e acesso fácil aos atrativos. Nova Brasília parece perto no mapa, mas tudo é longe quando se faz a pé.
Roteiro Dia 1: trilhas, bike e os pontos mais distantes
Começamos o dia indo direto para o Morro do Sabão, mas não pela trilha principal. Seguimos por um caminho alternativo, bem mais tranquilo e seguro, dica certeira do Rodrigo, já que no trecho final da trilha principal o acesso é bem íngreme e feito com cordas.
Depois atravessamos a praia e seguimos até Nova Brasília para alugar bike, porque ali as distâncias realmente pedem alguma ajuda. No caminho, encontramos um casal de viajantes e fomos conversando até chegar. Fizemos um pequeno lanche com alguns sanduíches trazidos de casa na Praça Felipe Valentim, aproveitando a sombra antes do sol apertar de vez.
Alugamos as bikes por R$ 20 a hora e ficamos três horas, total de R$ 120. Com elas, o roteiro fluiu muito melhor.
Primeira parada: o Farol. Deixamos a bike na base e subimos a escadaria de pedra, que é íngreme, mas entrega uma das vistas mais bonitas da Ilha do Mel. Fica a dica: fomos de bota, camisa UV e muito protetor solar, e mesmo assim o sol castigou.

Seguimos para a Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres. Dá para chegar a pé, mas ir de bike economiza tempo e energia. Passamos pelo istmo, aquele ponto onde se veem praias dos dois lados, e deixamos a bike antes da subida final. Se a maré estiver baixa, dá para chegar pela praia e ter a vista frontal da fortaleza. Ou dá para chegar na fortaleza também de barco, através dos passeios vendidos no porto da ilha.
Já dentro da Fortaleza, além dos canhões, há um museu, biblioteca, banheiro, água e o livro de visitantes. Um funcionário ainda indicou uma trilha curta até o Morro da Baleia, menos de 500 metros de subida, puxada, mas recompensadora, com mais vistas abertas da região.

No retorno, seguimos direto até devolver as bikes e caminhamos pela área central de Nova Brasília, cheia de lojinhas, artesanato e turistas chegando. Dali seguimos até o porto e pegamos o barco das 15h para Encantadas, R$ 20 por pessoa, e em menos de 15 minutos estávamos de volta ao nosso ponto inicial, é possível voltar de trilha, mas fazendo desse jeito você tem um outro ângulo da ilha e também repõe as energias depois de um dia de muita caminhada.
Almoçamos tarde, por volta das 15 horas no Bistrô Lote 22, e pagamos R$ 55 por pessoa, e por incrível que pareça ainda tinha bastante comida e bem feita, com camarão, peixe e salada generosa, daquele tipo que repõe as energias depois de um dia intenso de atividades.
No fim da tarde, tentamos ver o pôr do sol, mas o céu não colaborou. Compramos apenas algumas coisas no mercado em frente a praia para a noite e encerramos o dia sem pressa.
Roteiro Dia 2: Encantadas com calma
Acordamos às 06:00 e saímos às 06:40 para explorar o que faltava perto de Encantadas. Em menos de três horas fizemos tudo com calma.
Começamos pelo Morro da Cruz, seguindo pela praia, com o mar sempre ao lado. A trilha é curta e fácil, apesar da subida inicial. No topo ficam a cruz e o que seria a Capela de São Francisco de Assis, um ótimo ponto para nascer do sol (só não fizemos pois não tínhamos experiência de como seria a trilha, quem sabe na próxima).

Depois seguimos para a Gruta das Encantadas, acessando pela praia Encantadas Mar de Fora, que bem procurada pelos surfistas. Caminhando pela esquerda, chegamos ao deck de madeira e, com a maré subindo, foi preciso uma corridinha leve para entrar na gruta.
A vista dali é recompensadora, o mar ao fundo e a pedra fazem uma combinação perfeita para contemplação e para fotos.

A última parada foi a Bacia da Sereia. O acesso é mais confuso, passando por vielas e áreas próximas a propriedades particulares, sempre buscando o mar. O trecho final é feito pelas pedras, por isso vale ir com maré mais baixa. O visual é bonito, mas se a maré estiver muito cheia, não sei se vale a pena o esforço.
Com isso, fechamos os atrativos principais da ilha, mas ficou claro que dois dias são o mínimo. Não deu tempo de curtir praia, banho de mar, ver o pôr do sol, passeio de barco ou caiaque.
Ilha do Mel com chuva vale a pena?
Se a previsão indicar chuva, a Ilha do Mel ainda funciona, desde que você ajuste a expectativa. Trilhas ficam mais escorregadias, o pôr do sol pode não aparecer e o ritmo fica mais lento, mas a vila continua charmosa, os restaurantes funcionam e caminhar sem sol forte pode até ser mais agradável. Só evite dias de chuva intensa se a ideia for fazer as trilhas ou querer aproveitar a praia.
Mas uma outra alternativa de viagem pelo Paraná que gostamos muito foi um roteiro completo por Ponta Grossa, uma cidade com diversos atrativos, uma ótima opção próximo de Curitiba.
Dicas práticas que fazem diferença
O pôr do sol em Encantadas é bonito, mas depende de céu limpo. Internet e sinal de celular são fracos, então é melhor desencanar de estar online.
A ilha não é petfriendly, apesar de alguns anúncios dizerem o contrário, em fim não há muita fiscalização, então fica no seu bom senso. Alugar bike em Encantadas não vale a pena, já em Brasília ajuda bastante. Leve repelente, nas trilhas e até na praia tem mosquito.
Existem muitas hospedagens espalhadas pela ilha, mas procure hospedagens próximas à orla de Encantadas Mar de Dentro, porque a ilha não tem calçamento e carregar bagagem por trilhas e becos cansa.
Os estabelecimentos aceitam cartão, mas muitos preferem Pix ou dinheiro, especialmente pousadas. Entrar em contato direto pode render desconto ou café da manhã incluído.
Na volta para Curitiba, vale encaixar Morretes ou Antonina, nem que seja para comprar banana e as tradicionais balas, os preços são bem parecidos. Pagamos R$ 45 no quilo.
Quanto custa um final de semana na Ilha do Mel?
Para duas pessoas, os gastos reais ficaram assim:
| Despesa | Valor (R$) |
|---|---|
| Pedágio (ida) | R$ 24,00 |
| Estacionamento | R$ 60,00 |
| Travessia Ilha do Mel | R$ 98,00 |
| Hospedagem | R$ 200,00 |
| Aluguel de bike | R$ 120,00 |
| Barco Brasília – Encantadas | R$ 40,00 |
| Almoço | R$ 110,00 |
| Mercado | R$ 12,23 |
| Pedágio (volta) | R$ 24,00 |
| Total | R$ 664,23 |
No fim das contas, a Ilha do Mel pede apenas um pouco de organização e zero pressa. O transporte de volta nos fins de semana sai a cada 30 minutos e costuma ser bem pontual, então vale prestar atenção no horário para não transformar o retorno em estresse desnecessário.
A travessia é feita pela Abaline e costuma encher rápido, o que reforça aquela velha regra que funciona muito bem por aqui: chegar cedo facilita tudo. Com isso resolvido, o resto flui naturalmente, trilhas, praias, caminhadas longas, refeições sem relógio e aquela sensação boa de ter aproveitado o destino sem correr contra o tempo.
A ilha não exige grandes planos mirabolantes, ela funciona melhor quando você entende o ritmo, aceita andar bastante e deixa espaço para voltar, porque sempre fica algo para a próxima.







0 Comentários