Se você está pesquisando o que fazer em Poços de Caldas, vale saber que a cidade tem fama de termas e spa, mas fica bem além disso, e foi essa parte além que mais surpreendeu na nossa visita. Mercado municipal que é uma perdição, parques que passam fácil uma manhã, teleférico com atividades extras e uma vizinha pequena chamada Águas da Prata que vale muito o desvio de 30 minutos, com direito a uma esticada até Andradas.
Como chegar e quando ir
De São Paulo, a rota mais comum é pela Anhanguera ou pela Dutra até São José dos Campos e depois seguindo por Minas Gerais. O tempo de viagem fica em torno de 3h40 dependendo da saída.
A cidade funciona bem em qualquer época, mas o inverno tem um charme especial, e a ida às termas faz ainda mais sentido com frio. Antes de sair explorando cada atrativo por conta própria, vale organizar o passeio pelo Passaporte CITUR, que facilita bastante a vida.
O Passaporte CITUR: a dica que vale o roteiro inteiro
Antes de sair visitando tudo avulso, pesquise o Passaporte CITUR. Ele reúne as principais atrações da cidade por um valor bem mais acessível do que pagar cada ingresso separado, e na maioria dos atrativos já está incluso o estacionamento. Os preços variam conforme o dia da semana, e você tem 3 dias para usar tudo.
Atenção: o valor do estacionamento do teleférico para o Cristo não está incluído no Passaporte, pois as vagas ficam em uma região de zona azul, ou seja, você paga pelo aplicativo da prefeitura de Poços de Caldas, (que não parece confiável à primeira vista, mas funciona direitinho).
Recanto Japonês: 40 minutos que valem para qualquer grupo
Esse foi o atrativo que mais gostei, e um bom lugar para abrir o roteiro por ficar pertinho do centro.
O percurso leva cerca de 40 minutos em ritmo tranquilo e passa por vários jardins muito bem cuidados, uma ponte de madeira sobre um lago cheio de carpas coloridas e alguns mirantes escondidos entre as árvores.

Logo na entrada tem um bonito lago com grandes carpas, bem típico dos santuários japoneses, um outro ponto interessante é onde os visitantes usam uma concha de bambu para pegar água que cai de algumas fontes, um detalhe pequeno mas que já entrega o clima do lugar.
Também tem um restaurante de frente para o lago, ótimo para uma pausa com uma vista para o lago e a mata, um banho de imersão.
Esse passeio é family-friendly e petfriendly, um passeio agradável para qualquer composição de grupo. O passeio é relativamente curto, mas que vale a pena.
Teleférico: a vista e as atividades lá em cima
O teleférico leva cerca de 3 horas para aproveitar bem: a subida, a exploração do alto, que tem tirolesa, restaurantes e balanço, e a descida com calma.
Se o atrativo fechar por qualquer motivo, vale reservar mais tempo no planejamento. Foi o que aconteceu com a gente: o teleférico fechou sem previsão de reabrir, e a equipe ficou monitorando as condições do vento para decidir se dava para liberar de novo. Quem estava na fila foi avisado de que, se não desse para subir de teleférico, todo mundo desceria de van, o que no fim não foi necessário, porque no último instante ele reabriu. Com isso, se formou uma fila enorme.

Os carrinhos do teleférico levam só 4 pessoas por vez, então, em dias de mais movimento, não espere ter a cabine só para o seu grupo, e como são poucos carrinhos, a fila também demora mais por causa disso. A minha recomendação é que em dias de maior movimento como feriados e finais de semana, você não deixe para subir tão tarde.
O atrativo é muito procurado por ter uma vista linda do pôr do sol, então se quiser ter um bom lugar e ainda aproveitar o local, melhor se organizar para chegar um pouco mais cedo
O estacionamento próximo fica na zona azul, com tarifa de R$1,65 a cada 30 minutos, um pouco mais cara do que no restante da cidade, mas ainda acessível.
A vista da cidade é bonita e vale o ingresso. Para quem quer atividades além de olhar a paisagem, o conjunto de atrações no topo, incluindo a estátua do Cristo de braços abertos sobre o vale, justifica ainda mais a subida.
Zoo das Aves: bom para levar crianças
O percurso dura cerca de 1h15 em ritmo tranquilo. Você passa por diversos ambientes e habitats das aves, e os melhores momentos são sempre com as araras azul-e-amarelas, que ficam bem próximas do visitante, e as jandaias, pequenas e coloridas, sempre em pares.

O parque lembra o Parque das Aves em Foz do Iguaçu, mas em tamanho bem menor. Dá para combinar com outros atrativos no mesmo dia sem problema.
As cachoeiras: Véu das Noivas e Cascata das Antas
A Cachoeira Véu das Noivas é a mais tranquila das duas: o percurso é acessível, dura cerca de 30 minutos em ritmo lento, é petfriendly, e ainda tem algumas boas paradas para fotos ao longo do caminho até chegar na queda d'água, que é bonita e vale a caminhada.

Dali, seguimos para o Parque Natural Cascata das Antas, um pouco mais longo, cerca de 40 minutos em ritmo calmo. No final do trajeto passa por ruínas de pedra tomadas por raízes, um contraste bonito com o verde da mata ao redor, e por uma ponte de madeira que atravessa o rio pouco antes da cachoeira principal. Como os dois passeios ficam próximos e são leves, uma manhã é suficiente para fazer ambos com tranquilidade.

Dica importante: coloque no Google para navegar até o parque da Cascata das Antas, mas siga as placas indicativas no local, porque o GPS está levando para o lugar errado.
Fonte dos Amores: pode pular
De todos os atrativos do CITUR, a Fonte dos Amores foi o mais sem graça. Muitos degraus e uma boa subida para chegar, e quando chega, há pouco o que fazer lá.
Além disso, há várias placas proibindo alimentar os animais, mas os visitantes ignoram e não há ninguém para repreender.
O local fica cheio de macacos-prego em busca de comida, e não é raro ver um deles sentado bem no meio do caminho, esperando a próxima oportunidade. No início é até divertido, mas fica cansativo e você corre o risco de ter seus pertences pegos. Se o tempo for curto, pularia sem peso na consciência.
Thermas Antônio Carlos: o spa que vale a visita
O Thermas tem vários tratamentos e pacotes de relaxamento, dentro de um prédio antigo que já vale a visita só pela arquitetura. O pátio interno tem uma piscina de espelho d'água com chafariz, cercada por um terraço em curva onde funciona um café, e um pouco mais adiante, um vitral colorido no teto emoldura toda a área de lojinhas.
Como as águas termais da região são muito reconhecidas, não poderíamos passar sem experimentar. Fomos com um combo de massagem + ofurô para duas pessoas.

As massagens para homens e mulheres são feitas em espaços separados, e foi uma experiência bacana. O ofurô, de madeira, deu para fazer juntos: escolhemos as essências na entrada e ficamos tranquilos. A massagem dura cerca de 50 minutos e o ofurô 30 minutos.
Dica de economia: se você estiver na região e for direto ao Thermas, não paga a taxa de conveniência de 10% cobrada sobre todos os serviços quando você compra pelo site. Economiza e o processo é simples.
Na frente tem vários lugares para estacionar, mas toda a região é zona azul, funcionando normalmente. Aos finais de semana acontece uma feirinha de artesanato e variedades em frente ao espaço, vale conferir.
Mercado Municipal e as feiras: onde comer e comprar
O Mercado Municipal é uma perdição: são tantas opções de doces, doce de leite e queijos que, se você for provar tudo, sai de lá de barriga cheia. Me lembrou uma versão menor do Mercado Central de Belo Horizonte, com aquele mesmo clima de corredor cheio de coisas interessantes para ver e cheiro de comida mineira boa no ar.
Dica: coma o pastel dentro do mercado, não nos arredores, pois é mais barato e tem menos gente.

Aos sábados, o mercado ganha um reforço: uma grande feira se forma ao redor dele, com frutas, verduras, doces, pastéis e até antiguidades.
Ir ao mercado vale muito a pena, mesmo que você vá em outro dia, o mercado em si já justifica a visita. Além dele, há também feiras aos domingos, na Praça Dom Pedro II e na praça ao lado do Thermas Antônio Carlos, boas opções para completar o passeio de compras pela cidade.
Pizza na Roça: rodízio tradicional em Poços
É um dos rodízios de pizza mais famosos da região. Na mesma rua funcionam a opção rodízio e a opção à la carte (que tem nomes diferentes, mas é da mesma rede).
As pizzas vêm em fatias quadradas, um formato diferente do tradicional. Entre os sabores, os que mais gostei foram a de 5 queijos, a de cebola caramelizada com cream cheese e lombinho, e a de bacon com brócolis.
As sobremesas deixaram a desejar. A que mais se destacou foi uma pizza no estilo sobremesa gelada, tipo mousse de ninho, com creme de avelã e dois pedaços de morango. Já as opções de chocolate branco, que costumam ser minhas favoritas, decepcionaram: eram doces demais e não deixavam sentir outro sabor. A variedade de doces é pequena, e mesmo entre os salgados, que têm mais opções, os sabores acabam se repetindo bastante.
O valor é R$79,90 por pessoa, sem bebidas, mais 10% de serviço. O atendimento é rápido e atencioso, mas a experiência ficou só ok: nada muito diferente de outros rodízios de pizza pelo Brasil. O ambiente é bonito, ainda que pequeno para um rodízio, e estava surpreendentemente silencioso para a quantidade de pessoas. Chegamos cedo, mas por volta das 19h o restaurante já estava enchendo. Fica a dica de chegar cedo para garantir mesa com tranquilidade.
Rioshy Sushi Bar: rodízio disputado em Poços
É um restaurante bem concorrido na cidade. Chegamos 12h30, no ápice do horário de almoço, e o movimento já estava grande.
Só conseguimos entrar quase às 13h30, verdes de fome. O forte da casa é o rodízio, mas também tem opção à la carte. Os pratos são saborosos, mas achei que demoraram bastante para chegar.

São várias opções de sushi, temakis e pratos quentes, e o rodízio já começa com um mix de pequenas porções de cada prato, para você escolher os favoritos antes de pedir mais. Depois você fica livre para pedir as porções ao seu gosto.
O sistema de entrada gera bastante fila. A menor mesa disponível é sempre para 4 pessoas, então duplas acabam roubando lugares extras, e quem tem prioridade passa na frente de quem já está esperando, sem intercalar com a fila normal. Isso deixa o processo bem demorado, então vale reservar um tempo extra se quiser experimentar esse lugar na hora do almoço.
Represa Bertolan: mirante e lojas de queijo
A Represa Bertolan é um mirante para o rio que corta a cidade, um lugar lindo para ver o pôr do sol. Ao longo da mesma via você encontra várias lojas de queijos, doces e comida mineira, boa parada para quem quer levar alguma delícia para casa.
Águas da Prata: a vizinha que não decepciona
Águas da Prata fica a cerca de 30 minutos de Poços e merece o desvio. A cidade é o início do Caminho da Fé, uma das rotas de peregrinação mais conhecidas do Brasil, que vai até Aparecida.
Leia também nosso artigo sobre quanto custa a peregrinação pelo Caminho do Louvor.
Na praça principal ficam as fontes de água mineral, gratuitas e abertas ao público. As pessoas param para encher garrafas e até garrafões. É uma experiência bem particular ver isso acontecendo, mas faz parte do charme da cidade.
Não saia sem comer: na praça principal tem um bolo e uma pamonha que são maravilhosos. Se puder, pare em uma das barraquinhas e aprecie.
Pico do Gavião: pôr do sol na fronteira com Andradas
O Pico do Gavião é um lugar maravilhoso para ver o pôr do sol, e por lá encontramos muitos aventureiros se preparando para saltar de parapente. O valor da entrada é de R$17,50 por pessoa, um número curioso, mas sem problemas.

Fica a dica: a estrada de acesso não é fácil, é longa, cheia de buracos, e em alguns trechos só tem uma via. A subida é de terra, bem íngreme, com cerca de 15 km, então vale calcular um tempo extra para chegar com calma. Para quem não vai saltar de parapente, a experiência fica por conta do mirante principal, dos balanços, da lanchonete, das lojinhas e dos banheiros disponíveis, e o acesso também pode ser feito por outras estradas, inclusive por Andradas.
Mais uma dica: assim que o sol se põe, siga logo para a saída, porque, como a estrada já é ruim de dia, não vale a pena enfrentá-la no escuro, principalmente se for a sua primeira vez subindo até lá.
Andradas: Parque Ecológico Olho D’Água
Se você estiver na região, vale a pena estender o passeio até Andradas. O Parque Ecológico Olho D'Água é uma excelente opção para quem quer desconectar: trilhas tranquilas entre eucaliptos, cachoeiras, uma ponte suspensa sobre o rio ao longo do caminho, e redes espalhadas pelo parque para sentar e ficar admirando a paisagem.
O almoço é servido em buffet livre por R$49,90, e as crianças têm playground à disposição. O parque também tem atividades pagas que valem a pena conferir no local, como caiaque, pedalinho, passeio a cavalo e passeio de quadriciclo.

Roteiro sugerido de 3 dias
Dia 1: Poços, parte 1. Manhã no Recanto Japonês e na Fonte dos Amores que é ali perto (se você realmente fizer questão de ir). Almoço no Mercado Municipal, explore o mercado e escolha um dos restaurantes. Tarde: teleférico, reservando bastante tempo por causa da fila. Noite: jantar na Pizza na Roça.
Dia 2: Poços, parte 2. Manhã nas cachoeiras (Véu das Noivas + Cascata das Antas) e Zoo das Aves. Meio-dia dê um pulo na Represa Bertolan, ali na região é ótima para comprar queijos e doces para levar. Almoço no Rioshy Sushi Bar ou se estiver com muita fome o Shopping fica próximo a Represa. Fim de tarde no Thermas Antônio Carlos.
Dia 3: Águas da Prata e Andradas. Manhã em Águas da Prata: fontes minerais, tirar foto com a placa que dá início ao Caminho da Fé, experimentar o bolo e pamonha na praça. A tarde dê um pulo no Parque Ecológico Olho D'Água, em Andradas. Fim de tarde no Pico do Gavião, para fechar a viagem com o pôr do sol.
No fim das contas, esse é o roteiro de o que fazer em Poços de Caldas, Águas da Prata e Andradas sem cair só no óbvio das termas, aproveitando com calma os três dias de passeio, incluindo a esticada até Andradas.
Onde ficar em Poços de Caldas
Se você está pensando em passar as noites por lá para aproveitar o roteiro de 3 dias com calma, veja algumas opções de hospedagem perto dos principais pontos da cidade.







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